• Tamanho da letra:
  • -A
  • +A

Início » Turismo

10.01.2017 | 15:17

 Compartilhe:

O Turismo em Paulo Afonso e na Região dos Lagos do rio São Francisco

Veja texto do professor e escritor Reinaldo Dias

Antônio Galdino com texto do Professor Reinaldo Dias

divulgação
Livro do professor Reinaldo Dias

Livro do professor Reinaldo Dias

 Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.

Dentre suas publicações está o livro Turismo Sustentável e Meio Ambiente (Editora Atlas – São Paulo) publicado no ano de 2003 que foi uma das fontes de pesquisa que ajudaram na construção da minha tese de Mestrado concluído na Universidade Internacional de Lisboa, em Portugal, em Novembro de 2005 sobre o Turismo e Desenvolvimento Sustentável em Paulo Afonso e Região dos Lagos do São Francisco.

Arq. Folha Sertaneja
Mapa turístico da Região dos Lagos do São Francisco

Mapa turístico da Região dos Lagos do São Francisco

 

Recentemente o professor Reinaldo publicou na internet uma artigo que é uma síntese do seu pensamento no que se refere à Gestão Pública do Turismo e aponta para o pouco interesse e nenhuma prioridade que os gestores públicos tem dado a esse assunto de real importância para o desenvolvimento dos municípios brasileiros.

Em Paulo Afonso, que já teve um atuante Conselho Municipal de Turismo e sediou um Conselho Regional de Turismo que reunia os municípios baianos de Paulo Afonso, Glória, Rodelas, Abaré e Santa Brígida que formam a Zona Turística Lagos e Cânions do São Francisco, parte da chamada Região dos Lagos do São Francisco, qual alcança, além destes municípios baianos outros desse Estado e dos Estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco.

divulgação
O rico potencial turístico de Paulo Afonso-BA

O rico potencial turístico de Paulo Afonso-BA

 A riqueza e as belezas do rio São Francisco nesta região dos lagos, a cultura e os costumes da gente ribeirinha, o grande potencial turístico existente desde as muitas usinas hidrelétricas, aos grandes e pequenos lagos, os roteiros do cangaço, o imenso cânion deste rio, com 65 quilômetros de extensão, desde a Cachoeira de Paulo Afonso até a Barragem da Usina Hidrelétrica de Xingó, além da história impregnada nas paredes e ruas de cidades centenárias, tem feito da região cenários de documentários, minisséries e novelas da televisão brasileira.

foto: João Tavares
Usina PA1, PA2 e PA3, do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso

Usina PA1, PA2 e PA3, do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso

Mas, com o descaso, o desinteresse, a pouca atenção e até os desencontros políticos tem levado a perdas irreparáveis de potenciais turísticos da região.
Daí, vejo como oportuno que os atuais prefeitos, no começo de sua gestão dos próximos quatro anos, se debrucem sobre esta reflexão do professor Reinaldo Dias, que reproduzimos a seguir.

Antônio Galdino da Silva
Especialista em Turismo (UNEB-2001)
Mestre em Ciências da Educação – Turismo (UI/Lisboa – 2005)

Veja o artigo do professor Reinaldo Dias:

Gestão Pública do Turismo - *Reinaldo Dias

A intervenção pública em qualquer campo da realidade exige um conjunto de informações sobre suas características, suas necessidades, seus aspectos positivos e negativos, seus pontos fortes e fracos, para que se possa decidir com conhecimento de causa onde e como se deve agir.

No caso da política pública em turismo e no caso particular do Brasil, esta condição na maioria das vezes não está presente. Uma das causas prováveis é o entendimento de que o turismo é uma atividade secundária e os problemas que acarreta são de pouca relevância quando comparados com aqueles de outras áreas de políticas públicas como saúde e educação, por exemplo. É uma visão equivocada e antiquada do que é o turismo.

O turismo atualmente é uma das principais atividades econômicas do planeta, promovendo o maior movimento de pessoas que já ocorreu na história da humanidade. Quando bem planejado pode se tornar poderosa força de transformação social, econômica e ambiental. Somente a não compreensão do real significado da atividade turística pode explicar – mas não justificar – a ausência de mecanismos de monitoramento do turismo na maioria dos municípios brasileiros.

Os esforços para a criação de instrumentos de acompanhamento do desenvolvimento turístico de uma localidade se concentram naqueles locais onde o turismo tornou-se significativo como gerador de renda local. Mesmo assim, com frequência são os aspectos mais visíveis da atividade que são contemplados, como o perfil da demanda, a satisfação do turista ou pontos fortes e fracos da oferta.

São raros os estudos que estabelecem a relação do turismo com outros setores da economia ou que reflitam sobre seu impacto no desenvolvimento local. O Brasil é carente de estudos sobre os segmentos produtivos que se beneficiam da atividade turística, que dimensionem o impacto da cadeia produtiva local do turismo sobre a satisfação da comunidade, os benefícios culturais, a relação com o meio ambiente, as mudanças sociais provocadas, a reorganização do espaço urbano e rural entre outros.

A preocupação com os aspectos mais visíveis da atividade turística é mais facilmente mensurável e, embora importante, não deve ser considerada de forma isolada numa avaliação da sustentabilidade do desenvolvimento turístico, pois sustentabilidade se encontra estreitamente relacionada com os benefícios socioculturais, econômicos e ambientais para a população residente, assim como a satisfação percebida pelo turista quando da visita e a lembrança positiva que este levará para o seu local de origem.

O turismo como fenômeno social produz efeitos em todos os setores da sociedade, tanto diretos como indiretos, gera inovações e também rupturas na ordem social. Alguns destes impactos são visíveis de imediato, outros só são perceptíveis ao longo do tempo. No entanto, entre as atividades humanas o turismo é, em tempos de paz, o fator mais dinâmico na geração de mudanças. E o aspecto mais positivo deste fenômeno é que pode ser controlado através do planejamento, fazendo do turismo uma importante ferramenta para o desenvolvimento.

É no campo do turismo que inúmeras atividades têm encontrado lastro para seu próprio crescimento, como a história, a arqueologia, a paleontologia, as artes, a proteção ambiental, a música popular e a erudita, a gastronomia entre tantas outras. A atividade provoca, por outro lado, um incremento das interações entre diferentes culturas, fortalecendo suas identidades e acentuando a difusão cultural, aumentando a tolerância, o respeito e o reconhecimento da diversidade cultural.

Essa complexidade do turismo, sua intersecção com diversos setores e atividades da sociedade permite conceber a existência de uma rede de relações turísticas que constituem um sistema turístico. Isto leva à necessidade de distinguir claramente o sistema turístico e as políticas públicas voltadas para ele. Esse sistema é um complexo de relações e organizações de uma sociedade que o constituem. Não se pode reduzi-lo ao campo das intervenções do Estado e suas instituições, nem às ações do mercado; constitui um sistema integrado e como tal deve ser abordado para se viabilizar como impulsionador do desenvolvimento.

*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.

Sobre o Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

Enviar por e-mail

Insira até cinco e-mails, separados por vírgula





Deixe um comentário






O comentário será enviado para um moderador antes de ser publicado.