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01.01.2016 | 14:16

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CHESF terceirizará atrativos turísticos

A terceirização pode ser o "boom" do turismo na região

Ednaldo Júnior

Arq. Folha Sertaneja
Complexo turístico de Paulo Afonso

Complexo turístico de Paulo Afonso

 Após se desfazer das escolas, clubes recreativos e mais recentemente do hospital, que será administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH como já foi mostrado aqui nesta Folha Sertaneja em várias edições como na de n°140, a CHESF deve anunciar para este ano de 2016 a privatização dos seus atrativos turísticos.

A empresa está preparando a terceirização, com a concessão da exploração à iniciativa privada dos seus principais pontos turísticos e em breve será lançado o edital de licitação publicado no Diário Oficial da União uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) para a concessão ao setor privado.

Foto: Antônio Galdino
Lago do Balneário, hoje

Lago do Balneário, hoje

Neste modelo de concessão a propriedade dos ativos não muda de mãos, ou seja continua pertencendo à CHESF. A empresa privada faz o investimento, a gestão do patrimônio e fica com o retorno do capital investido. Seguindo este raciocínio, tornaram-se possíveis as privatizações de atrativos turísticos, mesmo quando declarados Patrimônio Natural da Humanidade.

Foto: Antônio Galdino
Bondinho sobre o cânion do rio São Francisco em tempo de cheias

Bondinho sobre o cânion do rio São Francisco em tempo de cheias

 A decisão da CHESF de transferir a gestão dos seus pontos turísticos para a iniciativa privada pode representar uma injeção de investimentos privados, todavia a intenção da hidroelétrica é transferir para a empresa gestora as despesas com a manutenção dos espaços. Ela investiria em estrutura para tornar os locais mais bem equipados e teria lucro com a exploração das áreas.

A perspectiva de inúmeras melhorias para revitalização dos parques e melhores serviços prestados aos turistas certamente vem acompanhada de taxas adicionais. Afinal de contas, trata-se de investimento versus retorno do capital investido. É necessário avaliar se os novos preços pagos para vivenciar esses atrativos são justos já que não existe concorrência.

Foto: Antônio Galdino
Cânion do São Francisco com Ponte D. Pedro II

Cânion do São Francisco com Ponte D. Pedro II

A exploração comercial dos atrativos turísticos da CHESF por empresa privada deve aquecer sobremaneira a economia do município e envolver de maneira acentuada a rede hoteleira, que tem sua taxa de ocupação maior apenas em alguns eventos como o de motociclismo que acontece anualmente, em maio e também no carnaval fora de época, que acontece em setembro.

Foto: Antônio Galdino
Lago do Touro e Sucuri, em 2007

Lago do Touro e Sucuri, em 2007

 Apesar de não se conhecer ainda o teor do texto do edital, é muito provável e natural, como ocorre em atrativos privados, que a empresa vencedora da licitação cobre pelas visitas aos locais e utilização dos equipamentos bem como por serviços extras oferecidos aos visitantes.
Também deverá haver uma interação entre a empresa que passará a administrar estes atrativos e operadoras e agências de turismo de todo o Brasil, além das empresas de turismo e guias de turismo locais.

É também esperado e aceito como natural o despertamento de críticas por parte de alguns turistas e ambientalistas, que justificam a sua reação à elevação dos custos, o cerceamento ao direito de visitação livre e uso gratuito desses atrativos, como acontece no município desde a criação da Chesf, em meados do século passado e citam a devastação ambiental dos locais que recebem grande número de visitantes.

Foto: Antônio Galdino
Modelo Reduzido de Paulo Afonso

Modelo Reduzido de Paulo Afonso

 Estes cuidados com a preservação do meio ambiente, já praticados pela hidrelétrica em suas áreas de atuação e que, para isso possui inclusive um Departamento de Meio Ambiente na empresa, devem ser exigidos das empresas que deverão concorrer à exploração desse novo negócio.

Foto: Antônio Galdino
Igreja de São Francisco

Igreja de São Francisco

Deve-se ver que esta decisão da CHESF, além de fomentar a geração de emprego e renda impulsionará a economia local através de um setor altamente rentável que é o turismo, que é mal gerido pelo poder público e se revelado rentável quando administrado pelo setor privado, como é o exemplo do complexo turístico de Xingó, a apenas 80 quilômetros de Paulo Afonso, no mesmo rio São Francisco.

Existem até hoje, dentro das áreas de segurança da CHESF, muitos pontos abandonados que os turistas não conhecem e que a empresa tem interesse na organização e divulgação, mas não na condução e com a terceirização a empresa gestora acaba administrando melhor porque visa ao lucro.

O Turismo em Paulo Afonso e na Região dos Lagos do São Francisco

Foto: João Tavares
Vista aérea de Paulo Afonso

Vista aérea de Paulo Afonso

 O Turismo em Paulo Afonso e Região dos Lagos do São Francisco, tese de mestrado, já mereceu muitas páginas do jornal Folha Sertaneja, estudos, debates, seminários... e volta à tona em um ano em que se precisa fazer alguma coisa para se consolidar o crescimento da economia local e regional.

Ao defender a tese doo Mestrado em Ciências da Educação, com o foco em Turismo, pela Universidade Internacional de Lisboa, na capital portuguesa em 25/11/2005, ouvi do meu argüidor, um dos maiores especialistas em turismo da Europa, o Professor Doutor Nelson Xavier, professor do Curso de Doutorado em Turismo de Lisboa e Madri, depois que apresentei o potencial turístico de Paulo Afonso e região dos Lagos do São Francisco, uma frase que ainda hoje soa forte em meus ouvidos: “Eu não entendo como vocês tem tanto e não tem nada”.

Nesses 10 anos bem que se lutou para que Paulo Afonso saísse da mesmice de ter grandes atrativos e se manter na estaca zero quanto à sua exploração econômica através do Turismo. Para fomentar isso, a cidade ganhou sinalização turística, a recuperação da Casa de Maria Bonita, (que tem colocado Paulo Afonso na mídia nacional através dos grandes jornais e emissoras de televisão), criação do Conselho Municipal de Turismo. Depois, veio o Conselho Regional de Turismo, criação de uma Secretaria de Turismo, maior interação com a Bahiatursa e com o Ministério do Turismo, iniciativa de aproximação com os órgãos de turismo dos Estados vizinhos, crescimento da rede hoteleira, restaurantes, comércio, inclusive com a chegada de grandes lojas de departamentos. Há ainda a expectativa da chegada de um shopping center.

Arq. Folha Sertaneja
Mapa roteiro turístico de Paulo Afonso

Mapa roteiro turístico de Paulo Afonso

Nos últimos anos, na contramão dessa expectativa de crescimento através do turismo, houve uma queda das relações além-município e alguns fortes atrativos deixaram de ser oferecidos aos visitantes como o bondinho, os lagos, o modelo reduzido da Chesf. O próprio cânion, talvez o maior de todos os atrativos continua sendo subutilizado sob o olhar do turismo.

Arq. Folha Sertaneja
Complexo usinas hidrelétricas de Paulo Afonso

Complexo usinas hidrelétricas de Paulo Afonso

 Não se pode deixar de levar em conta que Paulo Afonso possui em seu território o maior complexo de usinas hidreletricas do mundo. São cinco grande usinas num espaço de apenas 4 quilômetros e sete usinas num raio de 80 quilômetros. Juntas elas têm a capacidade de produzir cerca de 8.400 Megawatts de energia hidroelétrica, ou 84% por cento de toda a capacidade de produção da Chesf, de pouco mais de 10 mil megawatts.

 A iniciativa da Chesf de passar a gestão desse potencial existente em sua área de domínio para quem entende do riscado certamente vai fazer com que se encontre resposta para a inquietação do professor doutor de Lisboa e dos que desejam o desenvolvimento do município e sabe que está no turismo essa sua vocação. É o que nos mostra a matéria do jornalista Ednaldo Júnior, a seguir. (Antônio Galdino da Silva – especialista em Turismo pela UNEB, Mestre em Ciências da Educação – Turismo, pela Universidade Internacional de Lisboa-Portugal).

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