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15.04.2017 | 19:49

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O resgate da história e da memória de Paulo Afonso precisa de muito mais atenção e respeito!

da Câmara de Vereadores, Prefeitura, Chesf e instituições da cidade

Antônio Galdino

Acervo Chesf - Memorial Paulo Afonso

Casa de Hóspedes, primeira edificação em Paulo Afonso

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Foto do acervo: Memorial Chesf Paulo Afonso
Casa de Hospedes, primeira edificação de Paulo Afonso

Casa de Hospedes, primeira edificação de Paulo Afonso

 Leio, com preocupação a nota da Agência Morena Branca, assinada pelo radialista Luiz Brito e publicada pelo site PA24HORAS, onde se mostra a sua preocupação com o desmanche de prédios que remetem ao início da história de Paulo Afonso e, portanto, precisam ser preservados e destinados a fins que mantenham viva essa memória tão importante, pelo menos para alguns.

Esse tema, o resgate da história e da memória de Paulo Afonso tem sido recorrente em minhas publicações – livros, revistas e o jornal Folha Sertaneja – e de diálogos com pessoas do poder Executivo e do Legislativo da cidade há anos. Mas, temos pregado no deserto.

Foto: acervo Memorial Chesf Paulo Afonso
Igreja de São Francisco, em construção em 1949

Igreja de São Francisco, em construção em 1949

Louvei e aplaudi o empenho do então vereador Regivaldo Coriolano, atual Secretário de Turismo, quando, ao lado do incansável batalhador Padre Celso da Anunciação conseguiu sensibilizar a gestão municipal e transformar a Igreja de São Francisco em Patrimônio Municipal, tombado.

Quando questionamos porque essa medida não era também analisada em relação a outros prédios, a informação que recebemos desse vereador era que “este assunto seria contemplado no Plano Diretor do Município”, que está em estudo há anos...

Foto: Antonio Galdino
Casa da Diretoria da Chesf, ao lado do CPA

Casa da Diretoria da Chesf, ao lado do CPA

E ficou só nisso. Em várias oportunidades procuramos pessoas do Poder Executivo e do Judiciário para dizer que estavam destruindo o Restaurante da Chesf, que se falava em vender a Casa de Hóspedes e que até a Casa da Diretoria da Chesf que tem no seu entorno um grande terreno também podia entrar no leilão para a alegria de grandes construtoras.

Quando da cessão do prédio que foi o Ginásio Paulo Afonso, o COLEPA, para o IFBA, conversamos com então Administrador da Chesf na época, Gilberto Pedrosa, que havia sido professor e diretor daquele Colégio para que fosse mantida a fachada daquela instituição histórica e, embora o IFBA tenha investido mais de um milhão e meio na sua reforma e mobiliário interno e outros milhões em laboratórios, a fachada do IFBA é a mesma do nosso querido COLEPA.

Mas derrubaram o Restaurante e, dos 52 tipos de casas que existiam no Acampamento da Chesf, que mereceram uma monografia de especialista em Turismo pela UNEB, restam bem poucos.

Foto: Antonio Galdino
Grande Hotel de Paulo Afonso

Grande Hotel de Paulo Afonso

Quanto ao Grande Hotel, na gestão do Prefeito Anilton Bastos, foi-lhe apresentado pelo Departamento de Turismo, uma proposta, em carta enviada ao Governo da Bahia, para que esse hotel, considerando a sua história e a condição de Paulo Afonso com destaque para o turismo, fosse cedido pela Chesf ao Governo do Estado e por ele ao SENAC que ali montaria um Hotel Escola para atender a toda a região.
Mas, lamentavelmente e isso há muitos anos, está faltando amor a esta terra, sensibilidade com a sua história e suas raízes, por parte de gestores e de políticos locais.

E isso não é apenas em relação aos prédios que contam histórias fantásticas dessa região mas também se refere a pessoas que se doaram, deixaram suor, sangue e até suas vidas para construir o maior patrimônio do Nordeste que é a Chesf e esta cidade que escolhemos para viver.
Pioneiros como Abel Barbosa que hoje convalesce de mais uma cirurgia, aos 89 anos de idade e que viveu boa parte de sua vida esquecido, abandonado, visitado apenas por uns poucos amigos e alguns familiares.

Foto: Arq. Folha Sertaneja
Abel Barbosa e Adauto Pereira, dois ícones da história e da política de Paulo Afonso

Abel Barbosa e Adauto Pereira, dois ícones da história e da política de Paulo Afonso

Gente como Adauto Pereira, Otaviano Leandro, José Freire da Silva, Lindinalva Cabral e sua irmã Lizete, a primeira vereadora de Paulo Afonso, ainda vive e ativa mas esquecida desses políticos de memória fraca.
E os milhares de pioneiros, anônimos, esquecidos pela mediocridade dos que chegam como importantes mandatários em altos cargos na Chesf ou ocupam cargos públicos importantes, eleitos ou nomeados apadrinhados de alguém e a história e a memória dessa cidade, desse município, dessa região, desaparecendo com se não tivesse nenhuma importância.

Há muito que Paulo Afonso vive abandonada por políticos que chegaram a ser importantes em algum momento e só lembram dela às vésperas de mais uma eleição.

Senhores vereadores e políticos em geral. O mandato de cada um dos senhores foi uma concessão do povo e as origens desse povo precisam ser preservadas, com seriedade, com ética, com respeito.

A falta da valorização desse riquíssimo patrimônio – a história e a memória de Paulo Afonso, da Chesf, da Usina Angiquinho, do rio São Francisco e das pessoas que começaram tudo, talvez se explique pelo fato de que, nos 58 anos de vida da Câmara, dos 195 vereadores eleitos e dos 21 suplentes que assumiram o mandato o que dá exatos 216 vereadores, dos quais apenas 9 mulheres, pouquíssimos são pauloafonsinos. Na atual legislatura, 11 dos 15 vereadores são nascidos em Paulo Afonso, inclusive o presidente Marcondes e toda a mesa diretora, um recorde na história da Câmara.

O povo que os elegeu vai estar acompanhando cada passo do seu mandato e, com certeza, vai querer saber o que V.Exas. estão fazendo nesta área. Nós, da imprensa, também.

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