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18.08.2017 | 01:41

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Não posso deixar de gritar com esta notícia: Vazão do São Francisco será reduzida para 550m³/s

Como ficam: navegação, turismo, irrigação, energia elétrica?

Antônio Galdino

Não posso deixar de gritar com esta notícia: Vazão do São Francisco será reduzida para 550m³/s

Foto: Antonio Galdino
Cchoeira de Paulo Afonso, hoje

Cchoeira de Paulo Afonso, hoje

 Esta notícia publicada no site bobcharles.com.br dói muito mesmo porque é verdadeira e muito séria, muito delicada e, infelizmente, na sanha dos muitos interesses pessoais de quem se diz representante desta região sertaneja no Congresso Nacional, esta verdade tão dolorida não ocupa os espaços dos plenários que decidem – as Câmaras Municipais, as Assembléias Legislativas e a Câmara e o Senado Federal.

Também não tem merecido espaço na grande mídia nacional, nas revistas com tiragem acima de um milhão de exemplares toda semana, nem nos noticiários das grandes e pequenas também emissoras de televisão que reservam quase todo o tempo para falar de ladrões de todo tipo, especialmente políticos e empresários, todos acobertados por uma lei que é um cobertor curto e, longe de assegurar a todos a igualdade garantida pela constituição, está muito longe de ser igual para todos.

Li, com satisfação o texto de Luciano Júnior comentando o matéria sobre a redução da vazão do rio Francisco, mais uma, porque senti que não estou sozinho nessa luta desigual.
Ele começa citando um trecho de um comentário que fiz sobre esta mesma matéria:
“Luciano Júnior
* Antonio Galdino : “Precisamos ficar atentos para anunciar quando vão fechar a torneira do rio de uma vez. E lembrar que já vi passarem por aqui mais de 15 000 metros cúbicos por segundo... E que D. Pedro II saiu do Rio de Janeiro para cá só pra ver a Cachoeira de Paulo Afonso, que mereceu versos de Castro Alves e de mais de centenas de outros, e chegar a esse ponto, dói...”

E, continua Luciano, turismólogo pela FASETE: Meus caros amigos, infelizmente esta será uma morte anunciada e resultante de um crime de mando.
Anunciada quando dezenas ou mesmo centenas de pesquisadores renomados, alguns de reconhecimento internacional, alertaram. Mestre Galdino, nossa monografia da Adesg foi sobre este tema. E, nenhum líder político ribeirinho vestiu a camisa.
Recordo-me do Bispo na greve de fome, quando fui visita-lo numa capelinha lá pra bandas de Belém de São Francisco.
O político que lá apareceu foi pra mentir. Prometendo revitalização, que nunca ocorreu. Se o triste mentiroso que lá foi, que depois governou descaradamente o Estado da Bahia fosse católico deveria ser excomungado com requintes de perversidade.
Crime de mando, porque dentre as sangrias que sugam os cofres desta nação muito foi desviado com pseudos projetos de revitalização. O tema "vamos salvar o a velho Chico" foi usado em muitas campanhas políticas...
Enfim, apreciem bem o que resta dele. Olhem bem para os belos lagos de Paulo Afonso e Itaparica, porque só neles ainda resta água...
E, guardem bem as imagens, pois em curto tempo haverá uma lápide com "Aqui jaz o Rio da Integração...”. concluiu o turismólogo.

Criação: Antônio Galdino
Capa da Monografia ADESG sobre a Transposição do rio São Francisco

Capa da Monografia ADESG sobre a Transposição do rio São Francisco

E, continuo eu: Há anos que estão matando o rio São Francisco. Há anos temos chamado a atenção para isso, como lembrou bem o caro Luciano Júnior, também ele um defensor desse rio quando atuava na Ascopa e na Maçonaria de Paulo Afonso e como um dos que assinaram a Monografia da nossa equipe da Pós-Graduação – Curso de Política e Estratégia da ADESG/BA no ano de 2006.

Naquela época, sob o escopo acadêmico da seriedade que é a ADESG, já mostrávamos as opiniões de consagradas estudiosos como o então decano da geografia no Brasil, Aziz Ab`Saber, que do alto da sabedoria dos seus 80 anos, como Professor Emérito da USP – dizia na época: “Essa história (da transposição do rio São Francisco) me deixa indignado porque eles, os governantes e os políticos, não têm noção de escala, e sabem que o povo também não tem. O semiárido tem 750 mil quilômetros quadrados. A transposição não irá resolver o problema. O problema essencial é que, para um país do tamanho do Brasil, não basta pegar um pequeno ponto e fazer dele uma demagogia sobre planejamento. Com os 2 bilhões* necessários para iniciar a transposição, seria possível resolver vários outros problemas do Nordeste”.
*2 bilhões foi o valor anunciado. Ao final (ou quase) o custo é de mais de 10 bilhões de reais.

Na época, outros estudiosos nordestinos como João Adner Guimarães Júnior, Professor Adjunto do Dep. de Engenharia Civil da UFRN, João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife/PE, D. Luiz Flávio Cappio – Bispo da Barra, já se posicionavam contra o mega projeto, antes de sua revitalização.

No campo político, o presidente Lula sempre foi o grande defensor da transposição. Marina Silva, então Ministra do Meio Ambiente também defendeu o projeto. Os governadores, de acordo com as conveniências que lhes interessavam no momento, pra variar, ficaram divididos.

No âmbito da Justiça Federal, enquanto o Procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza (cearense) por um lado pedia a suspensão da obra de transposição, no Supremo Tribunal Federal, o ministro Sepúlvede Pertence suspendeu todas as liminares concedidas pela justiça contra a transposição das águas do rio São Francisco.

da net
José Theodomiro Araújo, o Velho do Rio

José Theodomiro Araújo, o Velho do Rio

 Até hoje ecoa ao longo do caminho das águas do rio São Francisco como uma imortal epitáfio, as palavras de José Theodomiro Araújo, conhecido como Velho do Rio, falecido em 2003 um intransigente defensor do rio São Francisco que disse em um dos seus pronunciamentos em defesa deste rio:

“Está enfraquecido o Velho Chico, e agoniza, jurado de morte que foi pela ganância e inconsciência dos seus próprios filhos. E quando ele morrer, no lugar onde hoje é a cachoeira Casca d’Anta, nós, que o amamos, faremos fixar no paredão da serra o epitáfio: 'Por aqui passou um rio que foi destruído por um povo que usou a inteligência para praticar a burrice'.”

O vaticínio do Velho Theodomiro está se cumprindo mais rapidamente do que previam os aproveitadores de então.
E agora, se já sofrem os que vivem rio acima, nas vastas regiões dos sertões que vão de Paulo Afonso a Sobradinho e subindo pelo serrado até as nascentes nos chapadões de Minas Gerais, sofrimento passam a sofrer os que moram na região do Baixo São Francisco, de Piranhas até a foz, trecho percorrido pelo Imperador D. Pedro II, chamada de Rota do Imperador, caminho das águas que fez, da foz até Piranhas para dali, seguir a cavalo para conhecer as beleza da outra majestade, a Cachoeira de Paulo Afonso, de resta apenas, como disse o saudoso Carlinhos da Sala dos Visitantes, “A Cachoeira de Paulo Afonso é apenas um retrato na parede”.

Foto: Antonio Galdino
Cachoeira de Paulo Afonso em Março de 2006

Cachoeira de Paulo Afonso em Março de 2006

Quem, de fato, viu a Cachoeira de Paulo Afonso em todo o seu esplendor e de que centenas de fotos, não pode impedir que se entristeça o seu coração já machucado.

E, como não temos recursos nem apoios financeiros para publicar esse estudo sobre a transposição, feito pela equipe que se chamava “Águas Inquietas”, vou fazer com que ele seja disponibilizado na internet para livre leitura e cópia por todos, assim como vou providenciar uma exposição com fotos da Cachoeira de Paulo Afonso e do Cânion do rio São Francisco em toda a sua plenitude.
É o meu jeito de gritar! (Prof. Antônio Galdino)

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