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23.11.2017 | 12:28

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A bandinha da Chesf

Homenagem a todos os músicos no seu dia, 22 de Novembro

Francisco Nery Júnior

Nota da Redação:

"No dia 22 de novembro é comemorado o dia da Música e dos músicos e, também, o dia de Santa Cecília, que é exaltada como a padroeira da Música e dos Músicos. A tradição conta que Santa Cecília cantava com tanta doçura que um anjo desceu do céu para ouvi-la." Assim, em homenagem a todos os músicos e em especial à saudosa Banda de Música da Chesf, o jornal Folha Sertaneja apresenta esta crônica do Professor Francisco Nery Júnior.

A bandinha da Chesf

Bandinha, para início de conversa com o leitor atento e comprometido, tem o toque ou o significante de carinho. É o diminutivo carinhoso; não desdenhoso. Pois a Chesf teve a sua bandinha!

Mestre na frente, líder do bom gosto provinciano de dar prazer, lá ia ele semeando esperança com todo langor. O mestre parecia jogar para fora toda a volúpia de quem crê no que está fazendo. E o povão aplaudia. Não importava que a panela queimasse; que a criança chorasse. A banda passava e era tudo que importava.

Na frente, a tuba imponente. Tum, tum, soprava o tocador. Barriga pra frente, soprava o ar que saia imponente do mais profundo da sua alma. Saía oxigenado com o melhor sangue que o pauloafonsino da época merecia. A bandinha da Chesf era o melhor que a companhia podia devolver aos pioneiros de cepa dos tempos de então.

Os outros seguiam. Passo pra lá, passo pra cá, eram a imitação do tubista orgulhoso e caprichado que, por sua vez, seguia o maestro. Sabiam eles - nós sentíamos esse vigor nós mesmos ao longo da rua - o que estavam fazendo. Não teorizavam, mas sabiam. Não falavam; faziam. Executavam.

Era pura alma, comprometimento e vigor de quem tinha vindo para Paulo Afonso com mala e tudo, com a cuia e com a esperança, para aqui se fundar. Criar raízes e nos encher a nós outros de pura alegria.

Não importa que nesse país não exista memória; pouca memória. Tiraram o nosso tremzinho de Pão de açúcar/Jatobá. Derrubaram a cadeia pública e aplainaram o restaurante. Desprezaram a fazenda Chesf e - vez por outra largam o balão de ensaio - cobiçam ocupar o patrimônio do Ciepa e da Vila Militar fundamentais para as próximas gerações.

O mestre da bandinha de que tratamos, que encarnava todo um universo de esperança dos nossos pais pioneiros, era pai do atual secretário de educação. Era avô do atual prefeito interino. A sua bandinha - a nossa banda - tem que voltar a semear a paz, alegria e felicidade pelas ruas de Paulo Afonso. Os nossos pés certamente deslizarão com mais facilidade ao som de uma bandinha.

Francisco Nery Júnior

P.S. O pai do cronista foi, por muitos anos, contra-mestre da Banda da Polícia Militar do Estado da Bahia. O tio foi o maestro também por muitos anos.

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