• Tamanho da letra:
  • -A
  • +A

Início » Especiais

14.01.2018 | 21:59

 Compartilhe:

Há 63 anos, a “luz de Paulo Afonso” começou a iluminar o Nordeste e mudar a sua história

Usina Paulo Afonso foi inaugurada em 15 de Janeiro de 1955

Antônio Galdino - Atualizada em 15/01/2018, às 12:15 (hora local de P. Afonso)

Há 63 anos, em 15/01/1955, a “luz de Paulo Afonso” começou a iluminar o Nordeste e mudar a sua história

Foto: acervo Memorial Chesf Paulo Afonso
Presidente Café Filho inaugura a Usina de Paulo Afonso - 15/01/1955

Presidente Café Filho inaugura a Usina de Paulo Afonso - 15/01/1955

 15 de Janeiro de 1955. Há 63 anos a “luz de Paulo Afonso” começou a mudar a história do Nordeste. Nordeste de ANTES e Nordeste de DEPOIS da Chesf.

Tudo começou da cabeça do Engenheiro Apolônio Sales, Ministro da Agricultura do Governo Getúlio Vargas, que, na verdade, aproveitava a ideia de Delmiro Gouveia, que construiu a Usina de Angiquinho em 1913 e, em 3 de Outubro de 1945, Apolônio Sales, em despacho com o Presidente Vargas levou a ele os Decretos-Leis que criava a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – a Chesf.

Memorial Chesf Paulo Afonso
Apolônio Jorge de Farias Sales

Apolônio Jorge de Farias Sales

Menos de um mês depois da assinatura dos Decretos-Leis 8.031 e 8.032, Getúlio foi deposto e os decretos ficaram nas gavetas Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O General Eurico Gaspar Dutra assumiu o governo.

Arq. Folha Sertaneja
Presidente Dutra e comitiva na Cachoeira de Paulo Afonso, em Jul/1947

Presidente Dutra e comitiva na Cachoeira de Paulo Afonso, em Jul/1947

 Em Julho de 1947 o presidente general visitou a Cachoeira de Paulo Afonso acompanhado de grande comitiva de militares e ministros civis, conforme relatou a Revista O Cruzeiro.

O presidente Dutra decidiu construir a Usina de Paulo Afonso e nomeou o Engenheiro da Divisão de Águas do Ministério da Agricultura, Antônio José Alves de Souza para presidir a nova empresa estatal – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, Chesf e tocar a obra para levar a luz de Paulo Afonso para todo o Nordeste, o mesmo ideal nunca realizado por Delmiro Gouveia. Era o dia 15 de Março de 1948.
Ao longo dos anos, a mobilização de pessoas, aviões, técnicos e engenheiros brasileiros e estrangeiros e milhares de trabalhadores nordestinos foi intensa na antes desconhecida Forquilha, no meio da caatinga sertaneja.

Memorial Chesf Paulo Afonso
Trabalhadores sertanejos abrindo a rocha para a construção da Usina de Paulo Afonso

Trabalhadores sertanejos abrindo a rocha para a construção da Usina de Paulo Afonso

 A grande obra do governo federal mereceu amplo destaque da mídia nacional da época. As revistas O Cruzeiro e Manchete enviavam periodicamente seus repórteres e, na abertura das sessões cinema pelo Brasil afora, lá estavam os documentários cinematográficos de I. Rozemberg falando da construção da Usina de Paulo Afonso.

Memorial Chesf Paulo Afonso
Grande movimentação em frente às guaritas da Chesf

Grande movimentação em frente às guaritas da Chesf

Os pioneiros como os saudosos Euclides Ribeiro, José Vitorino Diniz, Bret Cerqueira, e o ainda ativo colaborador deste pesquisador e deste jornal, Luiz Fernando Motta Nascimento e milhares de outros foram testemunhas da luta e da garra dos sertanejos e dos engenheiros para desviar o rio São Francisco para que se pudesse construir a Barragem Delmiro Gouveia e a primeira Usina da Chesf, a primeira subterrânea da América Latina, encravada a 80 metros de profundidade no paredão de granito cujos túneis foram abertos a ferro e fogo, a custo de muito suor, sangue e vidas de heróicos e anônimos sertanejos.

Memorial Chesf Paulo Afonso
O fechamento do rio São Francisco, obra que orgulha a engenharia brasileira

O fechamento do rio São Francisco, obra que orgulha a engenharia brasileira

 Em Outubro de 1954, o rio São Francisco foi, enfim, domado. Em Dezembro a primeira máquina da Usina de Paulo Afonso começou a gerar energia hidroelétrica recebida no Recife, capital de Pernambuco ainda em Dezembro e em Salvador, capital da Bahia, em 14/01/1955.

No dia 15 de Janeiro de 1955 os moradores de Paulo Afonso viram uma movimentação sem igual. Aviões pousavam no pequeno aeroporto construído pela Chesf. Eram os políticos da região e o presidente da República, o nordestino do Rio Grande do Norte, João Café Filho que chegavam para inaugurar oficialmente a Usina de Paulo Afonso, a primeira máquina de um total de três, gerando 180 megawatts de energia extraída da força das águas do rio São Francisco.

Memorial Chesf Paulo Afonso
Marcondes Ferraz, engenheiros e operários na Usina de Paulo Afonso

Marcondes Ferraz, engenheiros e operários na Usina de Paulo Afonso

Nos anos seguintes outras usinas foram sendo construídas e o Nordeste ganhou a força que precisava para impulsionar o seu desenvolvimento até então estagnado. Só em Paulo Afonso, foram construídas um total de cinco grandes usinas hidrelétricas. Ao complexo Paulo Afonso foram acrescentadas as Usinas Luiz Gonzaga, em Petrolândia e a Hidrelétrica de Xingó, em Canindé o São Francisco/SE, na divisa dos estados de Sergipe e Alagoas.

Arq. Folha Sertaneja
Usinas hidrelétricas de Paulo Afonso

Usinas hidrelétricas de Paulo Afonso

 Somado, o potencial de geração das usinas do Complexo de Paulo Afonso é responsável por mais de 80 por cento de toda a energia gerada pela Chesf, de fonte hidrelétrica ou, mais de 8 mil megawatts, dos 10 mil gerados pela Chesf.

Arq. Folha Sertaneja
Usina Hidrelétrica de Xingó

Usina Hidrelétrica de Xingó

A história do Nordeste tem claramente dois capítulos bem distintos. É o Nordeste A/C e o Nordeste D/C. Um, conta a história desta região antes da existência da Chesf. O outro mostra a grandeza do desenvolvimento da região depois que passou a receber a “luz de Paulo Afonso”, como dizem os sertanejos.

Enviar por e-mail

Insira até cinco e-mails, separados por vírgula





Deixe um comentário






O comentário será enviado para um moderador antes de ser publicado.