• Tamanho da letra:
  • -A
  • +A

Início » Cultura & Arte

31.01.2018 | 19:08

 Compartilhe:

Edson Mendes, da ALPA,recebe prêmio na solenidade dos 117 anos da Academia Pernambucana de Letras

Membro Correspondente da ALPA, Cadeira Nº 26

Antônio Galdino, com informações da APL

divulgação
Edson Mendes, premiado na APL

Edson Mendes, premiado na APL

 Acadêmico da ALPA, Edson Mendes, recebe prêmio na solenidade dos 117 anos da Academia Pernambucana de Letras

No dia 29 de janeiro, o público lotou o auditório da Academia Pernambucana de Letras para a cerimônia comemorativa dos 117 anos com a posse da nova diretoria eleita, entrega dos Prêmios Literários de 2017, lançamento da Revista nº 46 da APL.

divulgação APL
Solenidade dos 117 anos da APL

Solenidade dos 117 anos da APL

Várias autoridades estiveram presentes como o escritor membro da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vinicios Vilaça; o secretário de cultura, Marcelino Granja; a diretora presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco –Fundarpe, Márcia Souto; o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5, Manoel Erhardt e a conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco – TCE/PE, Tereza Duere.

divulgação APL
Posse da nova diretoria da APL

Posse da nova diretoria da APL

 Foram empossados para o biênio 2018/2020.

Presidente da Academia Pernambucana de Letras: Margarida Cantarelli – 1º Vice-presidente: Luzilá Gonçalves Ferreira – 2º Vice-presidente: Nilzardo Carneiro Leão –Secretário Geral: Lucilo de Medeiros Dourado Varejão – 1º Secretário: Antônio Dirceu Rabelo de Vasconcelos – 2º Secretário: José Mário Rodrigues – Tesoureira: Anna Maria Ventura de Lyra e César. Comissão de Contas: Amaury de Siqueira Medeiros, Alvacir Raposo Filho, Olimpio Bonald Neto. Suplente: Arthur Carvalho de Oliveira Carvalho. Comissão da Memória: Rostand Paraíso, Roque de Brito Alves, José Luiz da Mota Menezes. Publicações: Lourdes Sarmento. Revista APL: Paulo Gustavo Oliveira. Arquivo: Flávio Chaves. Biblioteca: Cícero Belmar.

divulgação
Edson Mendes, premiado na APL

Edson Mendes, premiado na APL

Entre os prêmios, em várias categorias, nesta noite memorável, foi entregue o Prêmio EDMIR DOMINGUES – Poesia – (Inédito), patrocinado pelos filhos do escritor Edmir Domingues, tendo como vencedor Edson Mendes de Araújo Lima, Secretário Geral da UBE e membro correspondente da Academia de Letras de Paulo Afonso, onde ocupa a cadeira Nº 26. Ele venceu com “Quase poesia, quase faina, quase”.

Também cronista, Edson Mendes, recentemente em viagem pela Europa enviou de Paris para o jornal Folha Sertaneja alguns escritos. Em um deles, ele fala do Raso da Catarina, região onde está o Povoado Juá, onde nasceram e moraram seus pais e muitos familiares desde muitas gerações.

acervo ALPA
Edson Mendes, pauloafonsino do Juá.

Edson Mendes, pauloafonsino do Juá.

 O nome do Raso

Edson Mendes

Esta semana me perguntaram a razão do nome Raso da Catarina, a que sempre me refiro por onde ando, e eu prontamente expliquei, como sempre faço, só que desta vez com uma pontinha maior de satisfação; afinal, explico aos franceses não só a origem, mas também a ligação histórica entre o Raso da Catarina e o país dos perguntadores!
A Estação Ecológica Raso da Catarina, com 105 mil hectares, localizada entre os rios São Francisco e Vaza-Barris, é uma região de solo arenoso, profundo e pouco fértil, de relevo muito plano. O clima semiárido, com vegetação típica de caatinga, oferece grande amplitude térmica entre o dia e a noite. Essas circunstancias produzem uma flora e uma fauna especiais e exóticas, com um grande vazio demográfico. Em torno desse quadrilátero situam-se as cidades de Paulo Afonso, Canudos e Jeremoabo.
Embora chova regularmente (entre 300mm e 600mm por ano), o solo, de gnasses, arenoso e profundo, por sua porosidade não consegue reter significativos volumes de água na superfície; em razão dessa característica, os caboclos e índios do seu entorno dizem que o solo é raso, à semelhança de um prato raso, onde cabe pouca comida.
A região, originalmente, foi habitada pelos índios tupinambás, cujo cacique Taparica acolheu sob sua proteção o português Diogo Alvares Correia, o Caramuru, durante o famoso naufrágio nas imediações do Rio Vermelho, em Salvador, no ano de 1510, e por ele se afeiçoou a ponto de lhe dar, em casamento, sua filha Paraguaçu.
Caramuru promoveu relações com navegantes franceses da Normandia, fornecendo grandes quantidades de madeira-de-lei, em especial o pau-brasil. Seu prestígio era tanto que, em 1526, aceitou convite do Comandante Jacques Cartier para visitar sua cidade, Saint-Malo, na costa francesa, em companhia da esposa Paraguaçu.
Nessa ocasião, dizem que, por ser “pagã”, a jovem índia não poderia ser recebida pela nobreza local, um entrave logo superado: levada à pia batismal, recebeu o nome de Catherine, em reconhecimento e homenagem à madrinha, Madame Catherine des Granches, esposa do comandante Jacques Cartier.
Ora, como Catarina Paraguaçu era filha querida do cacique Taparica e esposa do grande guerreiro Caramuru, naturalmente lhe pertenciam, por dote, parte das terras baianas, aí incluídas aquelas distantes do sertão, entre os rios Vaza-Barris e São Francisco! Sim, vocês sabem, aquele pedacinho que chamamos de Raso da Catarina.
Em 2014 estivemos em Saint-Malo, uma cidade medieval fascinante e extraordinária.
No porto, monumento histórico, algumas peças apontam para o grande mar, na direção do Brasil. Mas ninguém me perguntou nada, e assim não pude anunciar, triunfante, que aquela índia brasileira, batizada há 491 anos, é minha tatatatatatatara avó.


Enviar por e-mail

Insira até cinco e-mails, separados por vírgula





Deixe um comentário






O comentário será enviado para um moderador antes de ser publicado.