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22.03.2018 | 14:21

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NO DIA MUNDIAL DAS ÁGUAS, O TRISTE ESTADO DO RIO SÃO FRANCISCO

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água"...

Antônio Galdino

HOJE, DIA MUNDIAL DA ÁGUA, ASSISTIMOS A MORTE DO NOSSO RIO BENFEITOR, O SÃO FRANCISCO, O ÚNICO RIO TOTALMENTE BRASILEIRO. EXPLORADO AO EXTREMO PELA GANÂNCIA HUMANA ELE, ANÊMICO, ESTÁ MORRENDO...

Foto: Antonio Galdino
Lago PA4 - Prainha de Paulo Afonso na Copa Vela 2016

Lago PA4 - Prainha de Paulo Afonso na Copa Vela 2016

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água / que é muito útil e humilde e preciosa e casta”.

foto da net
Lago de Moxotó banha os Estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco

Lago de Moxotó banha os Estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco

Paulo Afonso e alguns outros municípios da região, cercados de grandes barragens, são privilegiados pela presença destas águas e talvez por isso, suas populações não se dão conta da falta que água faz para a manutenção da vida. Nem que esse grande e bom rio está morrendo...

È triste falar de morte quando se devia, no Dia Mundial da Água, está-se falando em vida! Mas esta é a nossa realidade doída. A morte do rio São Francisco, rio da integração nacional, de tantos usos – navegação, irrigação, produção de energia hidroelétrica, turismo, piscicultura e, principalmente para matar a sede e manter viva as pessoas e os animais...

Foto: Antonio Galdino
Lago PA4 - Prainha de Paulo Afonso em 18 de Março de 2018

Lago PA4 - Prainha de Paulo Afonso em 18 de Março de 2018

Foto: Antonio Galdino
Cachoeira de Paulo Afonso, em Março de 2007

Cachoeira de Paulo Afonso, em Março de 2007

 Abandonado, assoreado, com suas entranhas rasgadas para levar a pouca água que ainda tem para outros que nada têm, embora vivam em regiões de lençóis freáticos grandiosos mas onde os governos não querem investir, suas águas, que eram tantas, hoje estão fazendo falta...

Um exemplo visual fantástico é a Cachoeira de Paulo Afonso que já teve uma vasão de mais de 18 mil metros cúbicos de água por segundo hoje, há muitos anos, está seca...

 

Foto: Antonio Galdino
Cachoeira de Paulo Afonso, em 21 Março de 2018

Cachoeira de Paulo Afonso, em 21 Março de 2018

 Na foz, os ribeirinhos são obrigados a incluir em suas tarefas subir o rio em canoas para trazer para casa a água doce que está faltando porque, como diz a ribeirinha, “o rio tá fraco. O mar tá engolindo o rio.” Por quilômetros acima, a água é salgada e salobra e até Tubarão martelo, espécie nativa do mar, foi encontrado subindo o rio, muitos quilômetros acima do mar...

Foto: Antonio Galdino
Complexo hidrelétrico de Paulo Afonso

Complexo hidrelétrico de Paulo Afonso

As usinas hidrelétricas, um sonho de Delmiro Gouveia no início do século passado, que justamente para aproveitar as força das muitas águas construiu na margem da Cachoeira de Paulo Afonso a Usina Hidrelétrica de Angiquinho em 1913, sonho copiado pela Chesf, estão quase sem utilidade, quase todas paradas por falta de águas para movimentar seus potentes geradores. Dos mais de 2 mil metros cúbicos que as usinas precisam, estão chegando apenas 500 metros cúbicos...

Foto: Antonio Galdino
Balneário Canto das Águas, em Glória/BA - 18/03/2018

Balneário Canto das Águas, em Glória/BA - 18/03/2018

 O descaso com a revitalização do rio São Francisco ao longo dos anos, das décadas, dos séculos, recebendo esgotos in natura de mais de 500 localidades, grandes metrópolis, agrotóxicos em quantidade violentamente alta dos muitos projetos de irrigação onde havia a mata ciliar protetora do rio e outras mil formas de agressão ao rio transformaram o nosso Velho Chico num gigantesco esgoto a céu aberto como são os de quase todas as cidades ribeirinhas.

Foto: Antonio Galdino
Baronesas no Canal da Usina PA 4, em Paulo Afonso-BA, 18/03/2018

Baronesas no Canal da Usina PA 4, em Paulo Afonso-BA, 18/03/2018

Lembro que em 2006, quando estava em grande efervescência o projeto de transposição do rio São Francisco e, para se cumprir um capricho político foram ignorados os pareceres desfavoráveis de órgãos do próprio governo e de autoridades renomadas, as obras foram autorizadas sem que se fizesse, paralelamente, o processo da revitalização anunciado pelo governo federal como da responsabilidade de 14 dos ministérios da República.

Foto: Antonio Galdino
Balneário Prainha - Paulo Afonso/BA em 18/03/2018

Balneário Prainha - Paulo Afonso/BA em 18/03/2018

 E o que se fêz? Nada e tanto não se fez que, depois de longo período de estiagem, o rio recebe as águas e aparece o fenômeno das baronesas invadindo, povoando o seu leito, entupindo as bombas que fornecem águas para as cidades, destruindo o oxigênio e matando os peixes aos milhões. Afundando com a economia já abalada de muitas regiões do Nordeste.

divulgação
Ilha de Paulo Afonso-BA

Ilha de Paulo Afonso-BA

Essa tragédia que leva os gestores da região a decretarem estado de calamidade, de emergência, foi anunciada há anos, décadas e é fruto de interesses escusos e nada republicanos de muitos políticos, do abuso dos ribeirinhos e moradores dos grandes núcleos urbanos e produtores rurais e do descaso de governos, há décadas para a importância desse riquíssimo patrimônio nacional – o rio São Francisco, certamente contemplado pelas palavras da prece do São Francisco de Assis, de quem recebeu o nome em seu Cântico das Criaturas:

Foto: João Tavares
Ilha de Paulo Afonso-BA

Ilha de Paulo Afonso-BA

 “Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água
que é muito útil e humilde e preciosa e casta”.

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