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18.05.2018 | 23:32

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O que esperar dos que nos governam...

texto traduzido de Rousseau

Francisco Nery Júnior

 O que esperar dos que nos governam...

texto traduzido de Rousseau

O que esperar dos que nos governam (governarão); prefeito, governador, presidente

imagem ilustrativa

 Em seis meses, deveremos eleger um novo governador e um novo presidente. A lei diz que é nossa obrigação. Novo prefeito daqui a dois anos. Temos, nós da Bahia, três executivos incumbentes sobejamente preparados para o cargo. Chegaram ao topo após bela maratona de preparo. Emprego o termo preparado dissociado do termo eficiência.

Temos indiscutivelmente um bom governador que deverá ser reeleito. O povo deseja a manutenção de um governo eficiente e de um governador em quem confia. A escolha de um candidato similar para a presidência da República, todavia, é, por via das revelações constantes dos últimos meses, inacreditáveis e desanimadoras, uma barafunda completa na cabeça do eleitor.

imagem ilustrativa

Acompanhe o leitor a tradução do texto de Jean Jacques Rousseau em o Du Contrat Social. Parece ter sido escrito para nós, neste momento. Tenha a paciência de ler duas ou três vezes. Rousseau chama a atenção que não se trata de um texto fácil, mas afirma a sua confiança na capacidade de o leitor saber interpretá-lo, após a devida aplicação. Segue a nossa tradução do francês nos parágrafos seguintes.

Mas, se segundo Platão, o rei por natureza é um personagem assim raro, quantas vezes a Natureza e a sorte concorrerão para a sua coroação e, se a educação real corrompe necessariamente aqueles que a recebem, o que se deve esperar de uma linhagem de homens criados para reinar? É bem como querer se enganar ao confundir o governo real com o governo de um bom rei. Para verificar o que é esse governo em si mesmo, carece considerá-lo liderado por príncipes limitados ou corruptos; posto que tais chegarão ao trono, ou o trono assim os tornará.

Essas dificuldades [em busca do governo ideal] não escapam aos nossos autores, mas eles não se embaraçam. O remédio é, dizem eles, obedecer sem murmúrio. Deus provê os maus reis em sua cólera, e importa aturá-los como castigos do céu. Este tipo de discurso é edificante, sem dúvida. Mas eu não sei se seria mais conveniente dito do púlpito que escrito em um livro sobre política. Que dizer de um médico que promete milagres e cuja arte é de exortar o seu paciente à paciência? Sabe-se bem que importa tolerar um mau governo quando seja o caso. A questão seria encontrar um bom [governo].

Gostou, leitor, deste presentão do site? Saboreou o texto de Rousseau? Vamos para as eleições com um pouquinho mais de firmeza e convicção.

Francisco Nery Júnior
Estudou francês na rede pública do Estado da Bahia, tem experiência na França e é leitor assíduo dos clássicos da literatura francesa. É Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso, Cadeira Nº 18

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