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17.08.2018 | 22:56

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A escolha de um novo presidente

São 13 candidatos este ano...

Francisco Nery Júnior

A escolha de um novo presidente

imagem ilustrativa
Eleições Brasil 2018

Eleições Brasil 2018

 Está dito – e escrito – que o povo escolhe o presidente da República. Na verdade, a gente olha para uma lista de candidatos que lá se colocaram depois de uma verdadeira briga de foice e aperta o botão para um deles, crente que a gente está exercendo a cidadania. É, está. A gente está fazendo o possível. Estou furiosamente lendo Rousseau e Voltaire que detalhadamente escreveram sobre soberania e contrato social no século XVIII.

A partir de hoje os candidatos já podem fazer comícios e carreatas e poderão aparecer na televisão a partir do dia 30. Vamos escolher um novo presidente. Temos esperança que vamos escolher alguém que faça diferença. Alguém que tenha estrada e prestígio. A História nos mostra que, via de regra, são essas pessoas que têm feito diferença no mundo para melhor.

Queremos alguém na Presidência que faça diferença. O verdadeiro poder de um presidente é a estrada que ele percorreu. Não é à toa que as constituições de vários países proíbem que meninos sejam eleitos. Um presidente tem que ser maduro. A capacidade de arregimentar (estamos tratando de quem vai presidir sobre milhões de pessoas) é o verdadeiro poder de um presidente. No momento desta escrita, nos vêm à cabeça os nomes de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek; de Rui Barbosa e Ulisses Guimarães, um vergonhosamente garfado na Velha República, e o outro cinicamente traído na transição do regime militar de 1964 para a chamada Nova República.

Está todo mundo desanimado. A percepção das ruas é que os nomes que nos ofereceram para escolher são farinha do mesmo saco. Paciência tem limite e o povo está impaciente. A economia, embora sob controle, não vai bem e a taxa de desemprego está alta. Sem regras estáveis e economia crescente, não há regime que se sustente.

A título de obrigação, há que se notar que há um candidato assertivo que poderá galvanizar a vontade do povão. Jair Bolsonaro deixa a impressão de estar falando de dentro da alma. Como não se intimida de falar o que pensa, deixa a impressão de radicalismo. Poderá, sim, surpreender como Manuel Macron surpreendeu na França.

Geraldo Alkmin mostra-se preparado. Tem porém contra si o fato de ter sido governador de São Paulo, de estar repetindo fórmulas saturadas e de estar sendo apoiado pelo “Centrão”. Em outras palavras, deixa a impressão de prepotência econômica, de nada de novo e de manutenção do que não tem dado certo.

Devidamente assessorado, Bolsonaro começa a atenuar a linguagem. As posições começam a parecer menos radicais. Para não perder o eleitorado saudosista, conservador, decepcionado ou desesperado, como preferir o leitor, o candidato escolheu o general Mourão, conservador declarado, como vice para compor a chapa.

No tempo em que os valores estão se fracionando e os conceitos sendo redefinidos; no tempo em que a família, a escola e a igreja estão fora de moda, é bem provável que Jair Bolsonaro venha a ser o nosso novo presidente. Já tivemos três presidentes marechais e um general eleitos pelo voto popular (cinco outros generais foram ditadores). Poderemos ter um capitão presidente.

Francisco Nery Júnior

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