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09.10.2018 | 18:43

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Charles Aznavour: ainda é tempo de dizer adeus - Meia noite em Paris

Impressões da cidade-luz em dezembro/2017

Antônio Galdino - texto de Edson Mendes

Charles Aznavour: ainda é tempo de dizer adeus
Ici, Paris
Impressões da cidade-luz em dezembro/2017 (Edson Mendes - edsonmal@uol.com.br)
Meia noite em Paris

Meus caros amigos e leitores:
Charles Aznavour, popstar da música francesa, morreu na madrugada do dia 1º de outubro, com 94 anos.
Envolvidos nos agitos da vida, nem sempre nos despedimos bem das pessoas e coisas que amamos. Mas, ainda e sempre será tempo de dizer adeus.

da net
Charles Aznavour

Charles Aznavour

da net
Charles Aznavour

Charles Aznavour

 E aqui ao nos lembrarmos de Charles Aznavour, personagem de uma crônica de Edson Mendes e compartilhamos as nossas lembranças levando a cada um de vocês, que me acompanham no Facebook e no site www.folhasertaneja.com.br e no jornal Folha Sertaneja, essa crônica de Edson Mendes, acadêmico da ALPA, escrita em Dezembro de 2017, em uma de suas viagem à capital francesa. Porque, meus amigos, as coisas boas da vida, os bons momentos, as pessoas, as boas músicas que marcaram um tempo da nossa caminhada, precisam ser sempre lembrados e, se possível, compartilhadas, como um gostoso abraço que, ao tempo em que é recebido é também devolvido, com o mesmo carinho. (Prof. Galdino)



Ici, Paris

foto: Antonio Francisco (Francisco Imagens)
Edson Mendes sendo empossado na Academia de Letras de Paulo Afonso

Edson Mendes sendo empossado na Academia de Letras de Paulo Afonso

Impressões da cidade-luz em dezembro/2017
Edson Mendes

Meia noite em Paris

O doce pássaro da juventude é uma fênix. Pelo menos me pareceu ontem à noite, quando voltávamos do jantar. Chovia em Paris, e alguém pôs no carro Charles Aznavour. Era meia noite, e as notas de La Boheme, no princípio suaves mas logo arrebatadoras, pareciam projetar, na noite escura, luminosos flashes do passado.
Afirmando que ninguém sabe o que é ter 20 anos antes dos 20, a letra conta uma história de amor, fala dos lilases de Montmartre, da esperança no futuro e dos anseios de glória do casal que recita versos em troca de comida, e alimentados pelo desejo, pelo amor e pela arte, sonham com dias melhores – mas enquanto isso são felizes...
Uma vez, em 1968, eu voltava do Colégio quando começou a chover. Sem outra opção, me amparei na marquise de uma casa, ali perto da Igreja de Fátima. A chuva aumentou, e a noite se tornou inesquecível: lá dentro, alguém pôs na vitrola Yesterday, com Matt Monro. E depois Thunderball, com Tom Jones...
Aos 15 anos todos somos felizes, mesmo sem saber.

foto: Antonio Francisco (Francisco Imagens)
Edson Mendes na 2ª Bienal do Livro de Paulo Afonso - Nov/2016

Edson Mendes na 2ª Bienal do Livro de Paulo Afonso - Nov/2016

Aos vinte anos, queremos ainda mais que a felicidade, mas não se sabe ao certo, não se distingue na bruma da juventude o contorno esfumaçado deste obscuro objeto do desejo que chamamos de futuro. Não acreditamos no acaso, e seguimos sozinhos na multidão...
Ontem, à meia noite, deslizando pelas ruas molhadas de Paris, ouvir La Boheme foi quase como se estivesse novamente naquela marquise, enxugando o rosto, o coração acelerado pela emoção, a cabeça cheia de planos, a inspiração de Lennon e McCartney entrando pelos poros. Foi como se não se tivessem passado 47 anos desde a gravação de La Boheme.
O doce pássaro da juventude, que ainda desliza nos céus, bate as asas sobre todos nós, parecendo repetir os conselhos do velho chansonnier em Montmartre: mesmo cansados e extasiados, é preciso retocar a linha de um seio, a curva de um quadril; é preciso admitir o acaso; é preciso ter sempre vinte anos; e apesar da miséria e da falta de ar, é preciso amar-se e amar a vida.

Edson Mendes
edsonmal@uol.com.br

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