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14.10.2018 | 11:53

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Caldo de galinha – a pressa de Bolsonaro

A fórmula para o desenvolvimento ainda é o trabalho

Francisco Nery Júnior

Antonio Cruz/Agência Brasil - Jovempan/uol
Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

 Caldo de galinha – a pressa de Bolsonaro

Tudo aponta para a eleição de Jair Bolsonaro no segundo turno em poucos dias. A eleição parece – parece – certa. As setas apontam para um presidente de direita, conservador e sério, sério no sentido da educação militar do capitão Bolsonaro. Evidente que seriedade e estilo são características próprias do indivíduo não carecendo aqui abrir discussão. Está parecendo ter chegado a hora de esquecer o ciclo das discussões – nos referimos ao ciclo, e não necessariamente à discussão. O país está quase quebrado. São cerca de sete mil obras paradas; são salários baixos, senão aviltantes, desemprego cruel, e assim por diante. Importa, considerando o arrazoado, esquecermos as querelas e arregaçarmos todos as mangas e trabalhar. “Do suor do teu rosto comerás.” Para os que acreditam, é decreto maior, é cláusula pétrea.

O candidato da direita navega na onda do momento. Na América Latina, temos Ervo Morales no limbo e o antigo líder sandinista da Nicarágua a enfrentar problemas de insatisfação e rejeição. Nicolas Maduro da Venezuela é um caso à parte que suscita intriga. Nos Estados Unidos a onda Trump e na Europa Manuel Macron do centro político. Ah, leitor, promessas vãs e demagogas têm vida muito curta. Ainda não surgiu a fórmula para o desenvolvimento que não seja trabalho, poupança e investimento. Evidente que é necessário um Estado forte e regulamentador. O lobo não pode, de forma alguma, devorar Narizinho.

Bolsonaro se considera eleito. Modela seus conhecidos conceitos e mostra responsabilidade ao pregar a reconciliação nacional. Afirma proteger a mulheres ao pregar a segurança para o direito de ir e vir [para o trabalho]. Descarta o princípio de raça, cor ou origem para as grandes decisões nacionais. Promete até um décimo terceiro “salário” para o Bolsa Família, o que seria possível com a detecção e eliminação das fraudes. Jair mostra preocupação em ser o líder nacional que todos desejamos. Não está necessariamente claro se deseja seguir as pegadas de Pedro II, Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek.

A provável consagração nas urnas – nós nos baseamos nas pesquisas – só virá, porém, daqui a alguns dias. O segundo turno está longe e muita água passará por baixo da ponte. O Jair capitão, sincero que vai ao ponto crucial, que não mede palavras, que mesmo aqui e acolá comete sincericídios incompreensíveis, tem bastante tempo para modelar posições e ganhar os votos decididamente necessários para a legitimidade de governar.
Se tivéssemos de falar aos ouvidos de Jair Bolsonaro, nós lhe recomendaríamos calma e prudência. Nós lhe diríamos que ainda não é hora de escolher ministros nem de divulgar posições e projetos futuros. A pressa é inimiga da perfeição. O lobo está à espreita e carece cuidado. A primeira facada quase foi fatal. Fundamental evitar todas as outras facadas; de todos os tipos.

Assim sendo, berlique-beloque, mais uma vez calma e prudência. Calma, vamos ter calma, diria mestre Luís eletricista. O carro deve sempre vir atrás dos bois, diz o povão. Prudência, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Francisco Nery Júnior

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