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22.01.2019 | 01:03

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População de Paulo Afonso ainda mais apreensiva com o anúncio de fechamento do Hospital da Chesf

Fotos internas de reunião de 04/02/2010, no Memorial Chesf

Antônio Galdino - fotos: Arq. jornal Folha Sertaneja

foto: Antônio Galdino
Hospital Nair Alves de Souza - HNAS

Hospital Nair Alves de Souza - HNAS

 População de Paulo Afonso ainda mais apreensiva com o anúncio de fechamento do Hospital da Chesf
(As fotos são de reunião realizada no Memorial Chesf de Paulo Afonso em 04/02/2010, quando se discutia a transferência do HNAS para o Estado da Bahia). (Veja também no Facebook Antônio Silva Galdino)

Acervo Memorial Chesf
Hospital da Chesf, no começo das obras da hidrelétrica

Hospital da Chesf, no começo das obras da hidrelétrica

Circula pelas redes sociais uma carta assinada por Adriano Soares da Costa, Diretor de Gestão Corporativa da Chesf na qual a hidrelétrica do São Francisco comunica à Prefeitura de Paulo Afonso a redução de vários serviços e o posterior fechamento definitivo do Hospital Nair Alves de Sousa, “em dezembro de 2020, com ou sem a transferência definitiva do HNAS para a UNIVASF, a Chesf se retirará da operação e da gestão do HNAS”.

divulgação
Carta da Chesf sobre o HNAS

Carta da Chesf sobre o HNAS

 E este Hospital durante muitas décadas foi considerado referência em urgência e emergência na região...

Divulgação
Carta da Chesf sobre o HNAS - pag. 2

Carta da Chesf sobre o HNAS - pag. 2

Mas as medidas de restrições de serviços prestados pelo HNAS a cerca de 20 municípios dos Estados da Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco começam imediatamente como se pode ver nos itens abaixo elencados na carta dirigida à Prefeitura de Paulo Afonso, onde se lê:

a) Não serão mais realizadas cirurgias eletivas no âmbito do HNAS;

b) A partir de 01/03/2019, a urgência do HNAS estará aberta apenas no horário das 07h. às 19h.;

c) A partir de 01/03/2019 não haverá atendimento de ortopedia e o número de postos médicos obstetras urgentistas será reduzido de 02(dois) para 01(um);

d) No prazo de 06(seis) meses, o número de leitos do HNAS será reduzido em até 60% (sessenta por cento).

Esse sucateamento do atendimento médico aos moradores da região onde a Chesf instalou as suas usinas hidrelétricas no início dos anos de 1950, vem do tempo do presidente Collor de Mello que determinou que a Chesf só poderia “produzir, transmitir e comercializar energia elétrica”, ou seja a sua atividade fim e, com isso começou a fechar atividades que a Chesf realizava para atender à população regional, atraída para Paulo Afonso e cidades vizinhas justamente pela oferta de empregos na hidrelétrica.

Fechou-se então o zoológico, assim como foram também fechadas todas as escolas da Chesf, inclusive o Colégio Paulo Afonso – COLEPA – que, junto com o Centro de Treinamento da Chesf, que recebia estudantes e engenheiros de toda a América Latina, formou grande parte da mão de obra especializada da própria Chesf e de muitas empresas do Brasil e da América Latina.

O governo de Fernando Henrique reforçou essa medida e nos governos seguintes o que se viu foi o descaramento de políticos de todos os naipes tirando proveito do que restou da Chesf e apequenando a maior empresa do Nordeste que fez com que toda a região tivesse a sua história contada em duas partes: o Nordeste ANTES e DEPOIS da Chesf.

foto: Antônio Galdino
Reunião no Memorial Chesf em 04/02/2010. Em discussão: transferência do HNAS para o Governo da Bahia

Reunião no Memorial Chesf em 04/02/2010. Em discussão: transferência do HNAS para o Governo da Bahia

foto: Antônio Galdino
Reunião no Memorial Chesf em 04/02/2010. Em discussão: transferência do HNAS para o Governo da Bahia

Reunião no Memorial Chesf em 04/02/2010. Em discussão: transferência do HNAS para o Governo da Bahia

 Em Paulo Afonso, o lenga-lenga de enrolação dos políticos vêm esticando as promessas de melhorias da saúde de Paulo Afonso há décadas. Tantas foram as promessas – artigo de consumo de todos os políticos em campanha – que até eles estranharam a demora.

Em comício em Paulo Afonso, ao lado da Colégio Montessori o então governador Jaques Wagner, hoje senador, chamou ao palco o então Administrador da Chesf, Gilberto Pedrosa, o prefeito Raimundo Caires e o secretário de Saúde Jorge Solla, que logo foi para o Congresso Nacional, e distribuiu as tarefas de cada um: “Gilberto, a Chesf prepara as instalações; Jorge, o governo do Estado dá os equipamentos, e Raimundo, a Prefeitura contrata o pessoal. E abriu os pulmões para completar: ‘E daqui a sessenta dias eu volto aqui para inaugurar a UTI no Hospital da Chesf”. A fala empolgada do governador virou anedota...

O outro governador, agora reeleito, bradou aos quatro ventos que a “história da criação da UTI pela UNIVASF tá demorando tanto que mais parece novela mexicana”. E estavam sendo anunciados a construção de 30 leitos...

No calor da campanha para a sua reeleição, Rui Costa anunciou a construção de uma UTI menor, de 10 leitos, no Hospital Municipal de Paulo Afonso, no Bairro Tancredo Neves e ainda uma Policlínica Regional, também no BTN. As duas obras estão em construção...

E, bem antes de serem concluídas e inauguradas a população de Paulo Afonso que já passa de 120 mil habitantes recebe a informação do Sr. Adriano Soares da Costa, a mando da diretoria da Chesf que “passando ou não para a UNIVASF, a Chesf se retirará da operação e da gestão do HNAS”.

E mais, espalha aos quatro ventos que a Prefeitura deve pagar um débito de mais de 18 milhões devidos à Chesf pela prestação dos serviços médicos realizados pelo HNAS.

Por sua vez, a Prefeitura rebate em nota oficial que é a Chesf que deve cerca de 25 milhões à Prefeitura.

O foco agora é o dinheiro e como fica a situação dos milhares de pauloafonsinos que não têm plano de saúde e dos outros tantos milhares de nordestinos dos estados vizinhos que têm nesse hospital, o único da rede federal como apoio, mesmo precário?

Tenho registro de muitos discursos de Mario Negromonte, Mário Júnior, Aleluia, Wagner, Solla, e de prefeitos de Paulo Afonso e região, de reitor da UNIVASF, de diretores da Chesf (que vivem mudando toda hora, talvez para que não se consiga cumprir os compromissos assumidos) e agora chega esta informação.

Nem os trinta leitos de UTI no HNAS prometidos há muitos anos. Os leitos do HNAS que já foram mais de 200 hoje são bem poucos e serão reduzidos em seis meses em mais 60 por cento. Serviços fechados, até a emergência.

É preciso se perguntar mais uma vez onde estão estes políticos estaduais, federais que sempre voltam a Paulo Afonso para levar os votos do povo e deixam com esse mesmo povo ordeiro e sofredor mais uma fiada de promessas nunca cumpridas???

O Diretor de Gestão Corporativa da Chesf foi bem claro em seu recado: O HOSPITAL NAIR ALVES DE SOUSA, DA CHESF, onde a hidrelétrica investe cerca de 50 milhões de reais por ano, segundo Adriano Soares da Costa nesta carta, VAI FECHAR.

Está claríssimo. Nem precisa desenhar para se entender.

O que se quer saber é onde estão os políticos que podem resolver esta situação, “essa novela mexicana” que vem se arrastando a dezenas de anos enquanto a população cresce e muitos ficam desassistidos e morrem, abandonados que são pelas decisões tomadas nos gabinetes refrigerados do Recife, de Brasília ou de algum paraíso fiscal pelo mundo afora...

VEJA quem estava discutindo a situação do HNAS em 04 de Fevereiro de 2010, há 9 anos, em reunião realizada no Memorial Chesf de Paulo Afonso:

foto: Antônio Galdino

foto: Antônio Galdino

 

 

 

 

 

 

 

 

foto: Antônio Galdino

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foto: Antônio Galdino

 

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foto: Antônio Galdino

 

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foto: Antônio Galdino

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