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24.02.2019 | 22:57

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Chesf descarta riscos de rompimento em barragem de Paulo Afonso

Nota da Chesf após repercussão de reportagem da TV Bahia

Antônio Galdino

Foto: João Tavares
Ilha de Paulo Afonso cercada pelas barragens(da esquerda para a direita) PA4, Canal PA4, Moxotó, Delmiro Gouveia e Cânion do rio São Francisco

Ilha de Paulo Afonso cercada pelas barragens(da esquerda para a direita) PA4, Canal PA4, Moxotó, Delmiro Gouveia e Cânion do rio São Francisco

 Chesf descarta riscos de rompimento em barragem de Paulo Afonso após repercussão de reportagem da TV Bahia

O rompimento de uma barragem de rejeitos de minérios em Minas Gerais provocando grandes impactos ambientais em vasta região e matando mais de trezentas pessoas, centenas de animais, destruindo a vida no rio Paraopeba, um dos mais importantes afluentes do rio São Francisco e ameaçando todo o rico manancial deste rio São Francisco acendeu a luz vermelha do governo federal para a possibilidade de outros grandes desastres ambientais, com a comprovação de que das mais de 24 mil barragens de todos os tipos existentes no Brasil, pouco mais de três por cento passam por algum tipo de fiscalização e controle dos seus riscos.

Isso naturalmente gerou grande preocupação dos moradores que vivem em regiões próximas a grandes barragens como as que existem no rio São Francisco, a maioria delas no Estado da Bahia, todas construídas pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, desde a década de 1950, desde pequenos reservatórios a outros imensos.

As barragens e usinas hidrelétricas da Chesf no rio São Francisco e em Paulo Afonso

A maior de todas as barragens do rio São Francisco é de Sobradinho, nas proximidades de Juazeiro, ao lado do município do mesmo nome e que tem a capacidade de acumulação de mais de 34 bilhões de metros cúbicos de água.

 De Paulo Afonso para a Barragem e Usina Hidrelétrica de Sobradinho, ambas no Estado da Bahia são cerca de 420 quilômetros. Entre elas, se espalham por muitos quilômetros os quase 11 bilhões de metros cúbicos de águas represados pela Barragem de Itaparica, na divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, no município de Petrolândia/PE. Daí a Paulo Afonso, onde há grande concentração de barragens e usinas hidrelétricas, são apenas 60 quilômetros.

Em Paulo Afonso foram construídas pela Chesf as usinas hidrelétricas de Paulo Afonso 1, 2, 3 e 4 e a Usina Apolônio Sales na divisa da Bahia e Alagoas.

Para alimentar a Usina Paulo Afonso 1 e depois as Usinas Paulo Afonso 2 e 3, foi construída a barragem Delmiro Gouveia, em 1954, com a capacidade de armazenamento de 26 milhões de metros cúbicos. As águas desta barragem, depois de alimentar estas usinas seguem pelo cânion do rio São Francisco até a Barragem de Xingó, a 70 quilômetros abaixo, na divisa dos Estados de Alagoas e Sergipe.

 

foto: Antônio Galdino
Barragem de PA4 e cidade de Paulo Afonso (ilha)

Barragem de PA4 e cidade de Paulo Afonso (ilha)

Ainda em Paulo Afonso duas outras grandes barragens foram construídas no entorno da cidade-ilha. A maior delas, a barragem de Moxotó, tem a capacidade de acumular 1 bilhão, 150 milhões de metros cúbicos e suas águas chegam ao reservatório Delmiro Gouveia e também à outra barragem, a da Usina Paulo Afonso 4, a quem é ligada por um canal de 150 metros de largura e 6 quilômetros de extensão.

foto: Antônio Galdino
Barragem de PA4 e cidade de Paulo Afonso (ilha)

Barragem de PA4 e cidade de Paulo Afonso (ilha)

 A barragem da Usina Paulo Afonso 4 tem a capacidade de acumular 127,5 milhões de metros cúbicos de água que também, depois de mover os geradores da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso 4, seguem pelo cânion do rio São Francisco até a Barragem de Xingó.

A Barragem de Xingó é toda dentro do cânion do rio São Francisco e tem a capacidade de acumular 3 bilhões e 800 milhões de metros cúbicos de água.

Da barragem de Xingó, as águas do rio São Francisco seguem pelo baixo São Francisco, por cerca de 200 quilômetros até a sua foz no Oceano Atlântico.

Ou seja: entre Sobradinho e Xingó, as barragens do rio São Francisco podem acumular 50 bilhões de metros cúbicos de água e, na cidade de Paulo Afonso, as três barragens do município acumulam até pouco mais de 1 bilhão e duzentos milhões de metros cúbicos de água.

As barragens e usinas hidrelétricas da Chesf no rio São Francisco foram construídas num período de pouco mais de 45 anos, entre os anos de 1949, com o início da construção da Usina Paulo Afonso 1, a 1995, com a inauguração da Usina Hidrelétrica de Xingó.

Matéria da TV e a Nota da Chesf

No dia 23 de Fevereiro uma reportagem da TV Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão nesse Estado, mostrou a preocupação de moradores de Paulo Afonso, com a possibilidade de um rompimento da barragem da Usina Paulo Afonso 4 e da Barragem de Moxotó.
Em face da grande repercussão imediata da matéria nas redes sociais e muitos outros veículos de imprensa do Estado, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) se posicionou, por meio de nota, descartando quaisquer riscos desse tipo e procurando tranquilizar os moradores do município de Paulo Afonso.

A nota da Chesf, na íntegra, é a seguinte:

A Companhia Hidroelétrica do São Francisco – Chesf, considerando notícia divulgada na imprensa e em redes sociais a respeito da existência de vazamentos de água nas barragens de Paulo Afonso IV e Moxotó, presta os seguintes esclarecimentos:
Inicialmente ressalta que a Chesf lida e detém experiência, há mais de 60 anos, com barragens de grande porte que fazem parte dos seus empreendimentos hidrelétricos. Como parte das suas ações, realiza um criterioso programa de manutenção das instalações, contemplando o devido monitoramento e inspeções nas estruturas civis das barragens, de acordo com o Plano de Segurança de Barragens, atendendo as exigências da Legislação Federal (Lei 12.334/2010) e Regulamentação ANEEL (Resolução 696/2015).
Com relação ao fluxo de água no dreno à jusante do dique da barragem de Paulo Afonso IV, no bairro Perpétuo Socorro, em Paulo Afonso, esclarece que não se trata de vazamentos e sim de água que aflora do solo. Ressalta que desde a construção da barragem, este fato é percebido e não caracteriza fator de risco. Isso tecnicamente é denominado de surgências, consideradas comuns em barragens. Conforme as inspeções realizadas periodicamente, o aumento da vazão ocorreu devido a lançamentos irregulares de esgotos domésticos no dreno existente. Apesar de não implicar em riscos para a barragem, a Chesf vem desenvolvendo esforços junto à prefeitura municipal no sentido de adoção de medidas pela mesma, de modo que os esgotos e as águas de chuva não sejam direcionados para o referido dreno.
Quanto à existência de água em dois locais à jusante da barragem de Moxotó, este fato, da mesma forma que na barragem de Paulo Afonso IV, não caracteriza anormalidade e nem representa riscos para a estrutura. A Chesf realiza, também, nessa barragem, inspeções e monitoramento permanente.
Portanto, as condições das barragens mencionadas estão conforme os padrões de segurança e critérios de projeto, não apresentando nenhum risco que possa comprometer a sua estabilidade.
Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf)

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