1º de Abril - A Verdade por um Fio!
Luciano Júnior
No dia 1º de abril, a mentira veste gala. Sai do armário com confiança, pega carona na leveza do humor e desfila pelo mundo como se fosse estrela de reality.
Ninguém a confronta. Ao contrário, rimos, aplaudimos, e ainda a compartilhamos em grupo de família com a legenda “essa foi boa”.
É um dia estranho, em que a verdade se esconde e a mentira anda livre, leve e solta, tomando café com quem sempre disse que odiava falsidade. Se bem que para uns seres que só aparecem de 4 em 4 anos, com raras exceções, a mentira é regra diária.
E o mais curioso: nesse único dia em que se permite mentir, a maioria das pessoas brinca com histórias que nem machucam. O irmão que diz que vai virar monge tibetano. A amiga que anuncia que está grávida de gêmeos — do ex. O namorado que “termina” pelo zap, só pra dizer “brincadeirinha”. São mentiras tão absurdas, tão claramente piada, que a gente ri sem culpa. Elas entram, fazem seu show, e saem aplaudidas.
Mas isso levanta uma questão: essas mentirinhas que chamamos de inofensivas… são mesmo?
Aquela famosa “já estou chegando” que você manda ainda enrolado na toalha…
O “tava sem bateria” quando, na verdade, só não queria falar…
Ou o “vou pensar com carinho”, quando você já decidiu que não vai.
Elas parecem pequenas. E talvez sejam, se olhadas isoladamente. Mas toda mentira carrega um lembrete: a verdade foi deixada de lado por conveniência. E, aos poucos, a confiança se desgasta como meias usadas demais: a gente só percebe o furo quando já esfriou o pé.
Agora, se tem um campo onde a mentira reina soberana com drama, trilha sonora e figurino, é o amor.
Ali, ela brilha. Com voz suave, olhos marejados e promessas feitas ao pôr do sol.
“Eu te amo, só não sei lidar com isso agora.”
“Foi só uma vez, não significou nada.”
“Não sou ciumento, é só cuidado.”
“Eu juro, ela é só uma amiga.”
Mentiras de amor são traiçoeiras porque não ferem de imediato — elas criam uma falsa esperança. E esperança, quando frustrada, sangra por dentro.
E o que dizer das mentiras que tentam salvar o que já morreu?
Aquelas que dizem “vai melhorar”, quando tudo já está em ruínas emocionais.
Ou o clássico: “vamos dar um tempo” — que é só um nome bonito pra “deixa eu sair sem culpa”.
Mas a mentira não se contenta em ferir só os corações. Às vezes, ela vira piada pronta, daquelas que a gente ouve e já sabe que deu ruim. Como os casos reais — sim, reais! — que parecem roteiros de comédia:
Um britânico fingiu ser agente secreto por uma década pra justificar sumiços da esposa. Foi descoberto quando ela seguiu ele... até a loja de colchões onde trabalhava.
Um americano disse que era herdeiro de um castelo na Escócia. Levou a noiva até lá. Chegando, o “castelo” era um hotel abandonado. Ela largou ele no check-in.
E o brasileiro (sim, um bônus) que forjou um diploma de Harvard… e acabou sendo contratado por uma empresa que realmente exigia Harvard. Em um mês, foi promovido. No segundo, demitido. No terceiro, virou meme.
O que todas essas histórias nos ensinam? Que a mentira, por mais carismática, sempre tem prazo de validade. E quando vence, estraga tudo.
A verdade, essa coitada, é mais tímida. Chega devagar, às vezes com cara feia. Mas constrói. E principalmente: permanece.
Então, no 1º de abril, brinque. Minta que ganhou na loteria. Que está se mudando para o Japão. Que vai virar vegano. Que vai começar a meditar e ler todos os livros da estante.
Mas quando acabar o dia… seja honesto com quem importa. E com você mesmo.
Porque a mentira pode ser divertida — mas só a verdade tem profundidade.
Belíssima reflexão. Estou de pleno acordo com o irmão Galdino. Como sabemos que Lúcifer é o pai da mentira, então essas "mentirinhas bobas", torna-se culto a satanás.
Realmente boa reflexão! A mentira por mais pequena que seja,acaba indo pra outras consequências. E inventar sobre a morte de qualquer pessoa pior ainda.
Importantíssima reflexão sobre esse tema, infelizmente utilizado por alguns com pura maldade. Hoje cedo recebi a notícia da morte de uma pessoa querida. Era brincadeira de 1º de abril. Brincar com coisas assim, sentimentos, é crime. E é bom que estejamos conscientes dos males que isso pode trazer. Os que se dizem cristãos devem ter consciência disso porque está escrito que "o diabo é o pai da mentira". Esse tipo de brincadeira, essa invenção do dia da mentira é algo perverso de desocupados.