Ainda ontem…Meu caro Sandro Romero
Luciano Júnior
Ainda ontem, éramos jovens. Espíritos forjados no calor dos ideais, na chama viva da esperança que não se deixa apagar pela frieza das circunstâncias.
Eu, um menino ainda a descobrir as estradas da vida; você, um adolescente que já intuía os labirintos do mundo e as chaves para abri-los com bravura. Aprendi muito contigo.
Separados pelos muros dos colégios, em Centros Cívicos e Grêmios Estudantis distintos, mas unidos pelos sonhos e ideais que ultrapassavam fronteiras. Não nos contentávamos em ser expectadores: queríamos ser autores de um tempo mais justo. Fizemos campanhas, gincanas, trabalhos sociais e cívicos. E foi isso que fizemos: não apenas sonhamos, mas agimos.
Naqueles dias, o fervor da juventude nos conduziu ao encontro de ideais maiores e, em seguida, sustentados pelos valores da sublime e honrosa Ordem DeMolay, e depois com os Homens Livres, onde trilhamos juntos a capa e a espada — símbolos da defesa do que é justo e verdadeiro. Caminhamos pelas sendas da ética, pela construção do caráter, pela lealdade que nos guiava como farol nas noites de dúvidas.
Constituímos empresas, levamos internet para o sertão quando nas capitais ainda iniciavam; criamos jornal e revista para informar e principalmente dar voz ao povo que nos adotou.
Quantas campanhas! Quantas lutas travamos lado a lado!
E, sim, também algumas derrotas — porque a vida não é feita da mera vitória, mas da resiliência diante dos tropeços. Aprendemos que crescer é aceitar que as decepções são professoras rigorosas, mas justas. Vencemos! Graças ao Criador!
Agora, Sandro, meu caro irmão de ordens e jornadas, você segue sua trilha de volta à origem. Não como quem parte, mas como quem conclui a mais honrada das peregrinações. Que o Pai Celestial, em sua sabedoria infinita, o acolha sob suas asas eternas, como se acolhe o aprendiz dedicado que retorna ao lar, sua missão cumprida.
Lembro-me das palavras do imortal Cícero, onde ele afirma: “A amizade é o sol que aquece até os invernos mais rigorosos”. Pois tua presença, Sandro, foi este sol. E mesmo na ausência física, tua luz permanece a iluminar nossas memórias.
Há no luto um convite ao silêncio contemplativo, um apelo à busca por consolo que só a fé pode oferecer. Opto aqui por não me despedir, mas por te saudar na eternidade, onde os justos habitam, onde não há sombras, apenas plenitude.
Hoje, ergo meu pensamento como tocha acesa na escuridão, celebrando tua existência. Relembro, sem pesar, que a amizade verdadeira não é consumida pelo tempo ou pela morte, pois sobrevive nas páginas que escrevemos juntos, nos capítulos que ecoarão mesmo depois do ponto final.
Ainda ontem éramos garotos, Sandro Romero... Hoje você parte para a eternidade.
Siga em Paz!
Um dos maiores demolays que eu conheci em toda minha vida!